VOLTAR PARA NOTÍCIAS 08 de setembro de 2026

Setembro Amarelo: Quando a hiperconexão compromete a saúde mental

Professora de Psicologia do UNISAL explica como o excesso de estímulos, a disponibilidade permanente e a dificuldade de fazer pausas afetam o bem-estar

A professora do UNISAL Campinas, Érica Tonon Lôbo

Você termina o fim de semana ainda cansado? Sente dificuldade para se concentrar ou parece estar sempre atrasado, mesmo respondendo mensagens e acompanhando todas as notificações? Na era da hiperconexão, o descanso físico nem sempre é suficiente para aliviar o esgotamento provocado pelo excesso de informações, estímulos e cobranças.

Durante o Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a saúde mental e a prevenção do suicídio, o Centro Universitário Salesiano de São Paulo (UNISAL) chama a atenção para os impactos da conexão permanente sobre o bem-estar. Para a professora Érica Tonon Lôbo, responsável pelo Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) do UNISAL Campinas, a dificuldade de estabelecer limites pode fazer com que as pessoas estejam disponíveis o tempo todo, mas raramente presentes por inteiro.

“Estamos permanentemente conectados, recebendo informações, mensagens e demandas. Acreditamos que devemos estar sempre disponíveis e, com isso, encontramos dificuldade para estabelecer limites e estar verdadeiramente presentes no momento”, explica.

Uma mente sempre ocupada

Ao longo do dia, o cérebro alterna constantemente entre mensagens, redes sociais, notícias, atividades profissionais e outras informações. Essas mudanças frequentes de foco exigem esforço cognitivo e podem prejudicar a concentração e a sensação de conclusão das tarefas.

“É como se a nossa mente estivesse sempre sendo chamada para o próximo estímulo, sem tempo suficiente para elaborar o anterior. Essa mudança constante de atenção exige muito esforço e dificulta a concentração”, afirma Érica.

O volume de informações, somado às cobranças por produtividade e à dificuldade de fazer pausas, pode contribuir para uma sensação permanente de cansaço. Segundo a professora, o esgotamento mental é diferente do cansaço físico, normalmente relacionado ao esforço corporal e que tende a melhorar com o repouso.

“O cansaço mental envolve uma sobrecarga de pensamentos, decisões, preocupações e estímulos. Muitas vezes, mesmo depois de dormir ou relaxar, a pessoa continua se sentindo esgotada”, esclarece.

A tecnologia não precisa ser uma inimiga

A tecnologia proporciona benefícios importantes e tornou possíveis novas formas de comunicação, trabalho e acesso à informação. O problema, de acordo com a professora, não está necessariamente nos recursos tecnológicos, mas na maneira como as pessoas se relacionam com eles.

“A tecnologia é uma ferramenta importante. A dificuldade aparece quando ela deixa de estar a nosso serviço e passa a ocupar todos os espaços da nossa vida. Nesse momento, ocorre uma inversão e nós acabamos nos tornando reféns”, observa.

A sensação de precisar responder imediatamente ou estar sempre acessível também pode aumentar a ansiedade e dificultar a separação entre a vida profissional e a pessoal. Érica reforça que disponibilidade permanente não deve ser confundida com responsabilidade.

“Estar disponível o tempo todo não é sinônimo de comprometimento ou de maior senso de responsabilidade. Precisamos compreender que estabelecer limites também é uma forma de cuidado”, destaca.

Comparação e excesso de produtividade

As redes sociais podem ampliar a sobrecarga emocional ao estimular comparações constantes. Como as publicações normalmente apresentam recortes idealizados da vida, é possível desenvolver a impressão de que todos estão produzindo, conquistando e aproveitando mais.

“Nas redes sociais, visualizamos recortes da vida das pessoas. Isso pode gerar a sensação de que também precisamos estar sempre produzindo, conquistando e vivendo mais”, explica.

Essa valorização excessiva da produtividade pode provocar até mesmo culpa nos momentos de descanso. Para Érica, parar de trabalhar não significa, necessariamente, descansar. Se a pessoa continua respondendo mensagens, consumindo informações e pensando nas demandas, o corpo pode diminuir o ritmo, mas a mente permanece ativa.

“Precisamos de momentos de verdadeira recuperação. Descansar não é apenas interromper uma atividade; é permitir que a mente também faça uma pausa”, ressalta.

Precisamos reaprender a fazer pausas?

A presença constante do celular também reduziu os momentos de espera e de tédio. Qualquer pequeno intervalo pode ser rapidamente preenchido por vídeos, mensagens ou atualizações das redes sociais. Entretanto, esses períodos de aparente inatividade podem ser importantes para o equilíbrio mental.

“O tédio também tem uma função. Ele cria espaço para a mente desacelerar, elaborar experiências e até criar. Hoje, temos dificuldade para lidar com os intervalos e com as pausas”, analisa a professora.

Construir uma relação mais saudável com a tecnologia não significa abandonar completamente os dispositivos, mas utilizá-los com maior consciência. Estabelecer horários, silenciar notificações desnecessárias, preservar momentos sem telas e evitar a obrigação de responder imediatamente são atitudes que podem ajudar.

Para Érica, cuidar da saúde mental começa pelo reconhecimento dos próprios limites e pela atenção aos sinais apresentados pelo corpo e pela mente.

“Não precisamos estar disponíveis o tempo todo. É importante aprender a fazer pausas, estabelecer limites e escutar os nossos sinais. Desconectar não é deixar de fazer, mas criar espaço para voltar a fazer melhor e, principalmente, aproveitar a vida com mais qualidade e prazer”, conclui.

SPA do UNISAL oferece atendimento psicológico gratuito à comunidade

O Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) do UNISAL oferece atendimento psicológico gratuito e aberto à comunidade em seus diferentes campi. Os atendimentos são realizados por estudantes do curso de Psicologia, sob a supervisão direta de professores psicólogos, unindo a formação prática dos futuros profissionais ao compromisso social da Instituição.

Entre os serviços oferecidos estão o plantão psicológico e o acompanhamento psicoterápico, conforme a disponibilidade e os critérios de atendimento de cada unidade. Para conhecer as modalidades disponíveis, os horários e as formas de acesso, os interessados devem entrar em contato diretamente com o SPA do campus mais próximo:

Serviço de Psicologia Aplicada – UNISAL Americana
Campus Maria Auxiliadora
Endereço: Av. de Cillo, 3500 – Parque Universitario.
Contato via WhatsApp: (19) 99634-0704

Serviço de Psicologia Aplicada – UNISAL Campinas
Campus São José
Av. Dr. Theodureto de Almeida Camargo, 316 – Jardim Nossa Sra. Auxiliadora
WhatsApp: (19) 99521-2774


Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) – UNISAL Lorena
Campus São Joaquim
Endereço: Rua Dom Bôsco, 284 – Centro, Lorena (SP)
Localização interna: 2º andar do prédio Madre Mazzarello
Telefone: (12) 3159-2034

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