Procurador de Justiça Criminal destacou que a atuação no Direito deve unir conhecimento técnico, cidadania e sensibilidade diante das histórias humanas envolvidas em cada processo

Aplicar a lei é uma responsabilidade fundamental para quem escolhe o Direito. Mas, para o procurador de Justiça Criminal de São Paulo, Dr. José Carlos Cosenzo, o verdadeiro desafio está em fazer isso sem perder de vista a justiça, a cidadania e a humanidade presentes em cada história.
Essa foi uma das principais reflexões compartilhadas pelo convidado durante a Aula Magna do curso de Direito do UNISAL Americana. O encontro, que aconteceu na última sexta-feira, 11, fechou a programação da Semana Jurídica e aproximou os estudantes da experiência de um profissional com 40 anos de atuação no Ministério Público.
Ao longo de sua trajetória, Cosenzo construiu uma carreira marcada pela atuação no interior e na capital paulista. Foi presidente da Associação Paulista do Ministério Público (APMP) durante oito anos e também presidiu a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público. Como procurador de Justiça, integrou duas vezes o Conselho Superior do Ministério Público e participou do Órgão Especial, além de ter atuado como promotor do Tribunal do Júri.
A vivência no Júri, segundo ele, permitiu compreender não apenas os aspectos técnicos dos processos, mas também as dores e as complexidades humanas que acompanham cada caso.
“Como promotor do Júri, aprendi muito sobre as mazelas da vida e as dificuldades. Aprendi a cuidar com delicadeza das situações que enfrentamos e a entender que toda morte é uma tragédia para ambas as partes. Isso envolve não apenas o processo formal e a aplicação da lei, mas também a tragédia pessoal que existe em tudo isso”, afirmou.
Entre ser aluno e permanecer estudante
Durante a conversa com os acadêmicos, Cosenzo apresentou uma reflexão sobre a diferença entre ser aluno e ser estudante. Para ele, enquanto o aluno mantém uma relação formal com a universidade, o estudante é aquele que compreende o aprendizado como um compromisso para toda a vida.
“O estudante é aquele que continuará durante toda a vida estudando e buscando caminhos. O ensino não deve ser apenas profissionalizante, mas uma formação para a vida”, destacou.
Nesse processo, acrescentou, o conhecimento jurídico precisa caminhar ao lado da consciência cidadã e do contato com as diferentes realidades sociais. Essa postura se torna ainda mais necessária na Justiça Criminal, área em que o profissional lida diariamente com pessoas, vulnerabilidades e histórias que não podem ser reduzidas somente aos autos de um processo.
“A pessoa marcada pelo crime continua sendo um cidadão como qualquer outro. Ela tem coração e tem uma história. O promotor de Justiça precisa buscar a aplicação da lei, mas deve aplicá-la com justiça. O recado que deixo aos mais jovens é: apliquem a lei, mas, acima de tudo, busquem a justiça”, aconselhou.
Cosenzo também defendeu a recuperação de valores como respeito, empatia e sensibilidade nas relações humanas.
“É necessário ter um olhar extremamente humanizado, principalmente no mundo de hoje, que está cada vez mais despido de sentimentos, respeito e valores. Precisamos reencontrar isso”, ressaltou.
Experiência profissional compartilhada com os estudantes
Apaixonado pela vida acadêmica e com experiência como professor, o procurador afirmou considerar a troca com as novas gerações uma responsabilidade dos profissionais que acumularam conhecimentos ao longo da carreira.
“É uma obrigação do profissional dividir esse conhecimento com aqueles que estão chegando. É importante que os estudantes tenham uma visão crítica das instituições e conheçam a vivência prática do Direito”, declarou.
Para o Prof. Me. Emerson Carbinatto, coordenador do curso de Direito do UNISAL Americana, atividades como a Semana Jurídica ampliam a formação acadêmica e incentivam o protagonismo dos estudantes.
“Seja para aprenderem a organizar um evento da grandeza de uma semana de estudos, seja para refletirem sobre as prioridades atuais dos discentes e sobre temas relevantes do Direito que complementam os conteúdos tratados em sala de aula. E, não menos importante, possibilitar aos alunos o contato direto com profissionais que são referências em suas áreas”, explicou.
Protagonismo estudantil
A realização da programação também contou com a participação ativa do Centro Acadêmico de Direito (CAD). Para Robertha Silvia da Costa Santos, estudante do 8º semestre do curso noturno de Direito e presidente da entidade, receber Cosenzo representou uma valiosa oportunidade de aprendizado e um momento marcante para toda a comunidade acadêmica.
“A Aula Magna foi o ponto de partida da Semana Jurídica. Foi uma honra receber o Dr. José Carlos Cosenzo, que atuou em um dos casos de maior repercussão do país e alcançou uma posição de destaque em sua carreira no Ministério Público. Fica o sentimento de gratidão pela oportunidade de aprender com alguém de tanto conhecimento”, afirmou.
Segundo a estudante, toda a Semana Jurídica proporcionou aos acadêmicos o contato com profissionais de diferentes áreas e perspectivas do Direito. Mais do que abrir uma semana dedicada à formação jurídica, a Aula Magna deixou aos futuros profissionais um convite para toda a carreira: estudar continuamente, compreender as realidades que existem além dos processos e reconhecer que a aplicação da lei somente encontra seu sentido pleno quando está verdadeiramente a serviço da justiça.
Veja alguns cliques da noite:







