VOLTAR PARA NOTÍCIAS 20 de agosto de 2026

Alunos de Arquitetura e Urbanismo do UNISAL desenvolvem projeto de salas de autorregulação em parceria com a Prefeitura de Americana

Projeto Integrador aproxima estudantes de uma demanda real da rede municipal de ensino e propõe ambientes mais acolhedores, seguros e inclusivos para crianças

Alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo do UNISAL Americana, Campus Maria Auxiliadora, estão desenvolvendo um projeto para a criação de salas de autorregulação em duas unidades da rede municipal de ensino.

A iniciativa é desenvolvida através do Projeto Integrador, em parceria com a Prefeitura Municipal e tem como objetivo elaborar soluções arquitetônicas que contribuam para a criação de ambientes acolhedores, seguros e adequados às necessidades das crianças, especialmente aquelas que apresentam necessidades relacionadas à autorregulação sensorial.

As unidades escolhidas para receber o projeto-piloto são a Casa da Criança Baeti e a EMEI Jacina. Segundo a Prefeitura, a definição das escolas considerou critérios como disponibilidade espacial e financeira.

De acordo com o secretário municipal de educação, Vinicius Ghizini, o objetivo é criar ambientes seguros e acolhedores

“O planejamento preparado pelas equipes da secretaria prevê a criação de ambientes acolhedores e que contribuam para que as crianças possam retomar as atividades pedagógicas com mais equilíbrio e segurança”, declarou o secretário de Educação, Vinicius Ghizini, em entrevista ao portal de notícias da Prefeitura.

As primeiras visitas técnicas dos estudantes foram realizadas no dia 15 de agosto e acompanhadas pela diretora de Educação Básica da Secretaria Municipal de Educação, Graciete Pereira da Silva.

Arquitetura a serviço da inclusão

Para a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo do UNISAL, Beatriz Rocha, a parceria representa uma oportunidade de aproximar a formação acadêmica das necessidades concretas da sociedade.

“Esse tipo de parceria é fundamental para a formação dos nossos alunos, pois conecta o conhecimento da sala de aula com as demandas reais da sociedade, permitindo perceber a arquitetura como uma forma de promoção da inclusão. Projetos assim desenvolvem a sensibilidade social, empatia e a compreensão ampla do papel do arquiteto na criação de espaços acolhedores, acessíveis e capazes de atender necessidades específicas dos usuários.”, afirma.

A proposta também amplia a compreensão dos estudantes sobre o papel social da profissão. Mais do que desenvolver soluções estéticas ou funcionais, o projeto exige que os futuros arquitetos compreendam as características dos usuários e as particularidades de cada ambiente escolar.

Da visita técnica ao projeto

Segundo a professora Alessandra Cristina Medeiros Alves, responsável pela atividade, o trabalho começou com o contato direto dos estudantes com as escolas.

“Durante as visitas, os alunos buscaram compreender as características físicas dos espaços, a rotina das instituições e as necessidades apresentadas pelas equipes escolares. A partir desse diagnóstico, serão desenvolvidos estudos e propostas que considerem fatores como conforto, segurança, acolhimento, redução de estímulos e organização sensorial”, explica.

Para Alessandra, a experiência permite que os estudantes vivenciem uma situação concreta de projeto e desenvolvam uma visão mais ampla sobre a profissão.

“Essa parceria é muito importante porque aproxima os estudantes de uma situação real de projeto e de uma demanda concreta da sociedade. No ambiente acadêmico, eles têm a oportunidade de aplicar conhecimentos desenvolvidos ao longo do curso, mas também de aprender a ouvir, observar e compreender as necessidades dos usuários antes de propor uma solução arquitetônica.”

A professora destaca ainda que a experiência contribui para uma formação mais humanizada.

“Projetar não significa apenas pensar na estética ou na funcionalidade de um espaço, mas compreender as pessoas que irão utilizá-lo e criar ambientes mais inclusivos, acessíveis, acolhedores e humanizados.”

Próximas etapas

Após as visitas técnicas, os estudantes passaram a trabalhar em grupos para sistematizar as informações coletadas, aprofundar o diagnóstico de cada unidade escolar e realizar estudos teóricos relacionados aos temas envolvidos.

Na sequência, serão desenvolvidos estudos preliminares e propostas de layout, materiais, cores, iluminação, mobiliário e outros elementos que possam contribuir para a criação de ambientes adequados à autorregulação.

As propostas serão discutidas e ajustadas em diálogo com as equipes das escolas e com a Secretaria Municipal de Educação. Posteriormente, os projetos serão apresentados às unidades para avaliação e definição das soluções que poderão ser executadas.

A conclusão da atividade está prevista para dezembro, durante a mostra dos Projetos Integradores do UNISAL.

Uma experiência que ultrapassa a sala de aula

Para os estudantes envolvidos, o projeto representa a oportunidade de transformar conhecimento acadêmico em uma proposta com potencial de impacto direto na comunidade.

A aluna Kamylle Victoria Nunes Silva, do 4º semestre de Arquitetura e Urbanismo, destaca o caráter social da iniciativa.

“Participar desse projeto é fundamental para a nossa formação como profissionais e é particularmente especial pelo seu caráter social. Como alguém que estudou a vida inteira na rede pública e conviveu com crianças diagnosticadas com TEA, tenho consciência do quão benéficas essas salas serão para os alunos, e é gratificante poder participar de algo assim.”

Segundo a estudante, a experiência também reforça conhecimentos que fazem parte da formação em Arquitetura e Urbanismo.

“Nós estudamos sobre a importância da inclusão e da acessibilidade desde os primeiros semestres da faculdade, sabemos o quão importantes são esses conceitos e como eles são essenciais para exercer a arquitetura.”

Kamylle lembra ainda que o curso já proporcionou aos estudantes outras experiências com instituições da região, incluindo projetos relacionados à acessibilidade.

Arquitetura que precisa ser sentida

Para Maria Eduarda Beneti Ragogna, também estudante do curso, a relevância do projeto está justamente na possibilidade de gerar um impacto concreto na comunidade.

“Atuar neste projeto é especialmente significativo por seu caráter social e pela possibilidade de gerar um impacto real na comunidade. Acredito que a arquitetura possui um papel importante na construção de ambientes mais inclusivos e adequados às diferentes necessidades das pessoas.”

A estudante ressalta que a experiência permite aplicar, na prática, conhecimentos desenvolvidos durante a graduação.

“Mais do que desenvolver um projeto que ficará apenas no papel, temos a possibilidade de acompanhar sua execução e perceber, na prática, o impacto que a arquitetura pode proporcionar na qualidade do ensino e no bem-estar dos alunos.”

O desenvolvimento das salas exige dos estudantes um olhar atento para aspectos como iluminação, sons, cores, texturas, materiais, mobiliário e organização espacial. A proposta é equilibrar funcionalidade e acolhimento, criando ambientes que possam transmitir segurança e conforto.

“Por se tratar de uma sala sensorial, entendemos que cada escolha precisa ser cuidadosamente pensada, pois a arquitetura, nesse projeto, não será apenas observada, mas também vivenciada e sentida”, explica Maria Eduarda.

Formação profissional conectada à realidade

Além do aprendizado técnico, a experiência também contribui para o desenvolvimento de competências importantes para a atuação profissional, como trabalho em equipe, escuta, análise de necessidades, tomada de decisões e adaptação à limitações orçamentárias e técnicas.

Para os estudantes, a parceria com o poder público também amplia as possibilidades de atuação e a construção de um portfólio profissional diversificado.

A iniciativa reforça, assim, uma das dimensões do Projeto Integrador: proporcionar aos alunos a vivência das diferentes etapas de um projeto real, desde a identificação das necessidades e o levantamento técnico até a elaboração das propostas e o diálogo com os diferentes atores envolvidos.

Mais do que uma atividade acadêmica, o projeto aproxima universidade, poder público e sociedade e demonstra como o conhecimento produzido no ambiente universitário pode contribuir para responder à demandas concretas da comunidade.

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