VOLTAR PARA NOTÍCIAS 25 de agosto de 2026

Agosto Dourado: professora do curso de Psicologia do UNISAL fala sobre saúde emocional das mães

Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, o UNISAL Americana chama a atenção para uma dimensão que muitas vezes fica em segundo plano quando o assunto é amamentação: a saúde emocional da mãe. Mais do que um processo relacionado à nutrição e ao desenvolvimento do bebê, a amamentação acontece em uma fase marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais na vida da mulher.

Para a Profª. do curso de Psicologia do UNISAL Americana, Ma.Maria Julia Scarparo, olhar para a saúde da mãe também é uma forma de cuidar do bebê e de toda a família. Segundo ela, dificuldades para amamentar, privação de sono, mudanças na rotina, inseguranças e expectativas podem afetar diretamente o bem-estar emocional da mulher.

“A amamentação não acontece de forma isolada. Ela está inserida em um período de muitas mudanças físicas, emocionais e sociais na vida da mulher. Existe uma grande atenção para os benefícios do aleitamento para o bebê, mas precisamos lembrar que a mãe também precisa ser cuidada e acolhida”, explica.

Entre a expectativa e a realidade

Ansiedade, medo, insegurança, frustração, culpa, exaustão e tristeza estão entre os sentimentos que podem aparecer durante o período de amamentação. Para Maria Julia, reconhecer essas emoções é importante para evitar que dificuldades naturais sejam interpretadas pela mulher como sinal de incapacidade ou falta de amor pelo filho.

“Também podem surgir sentimentos ambivalentes: a mulher pode amar profundamente seu bebê e, ao mesmo tempo, sentir-se cansada, sobrecarregada ou ter dificuldades com a amamentação. É importante compreender que esses sentimentos não significam falta de amor ou que ela está sendo uma mãe ruim”, afirma.

A especialista também destaca o impacto da romantização da maternidade. A ideia de que ser mãe deve ser naturalmente prazeroso e de que amamentar deveria ser sempre fácil pode criar expectativas difíceis de alcançar. Quando a experiência não corresponde a esse imaginário, a mulher pode interpretar as dificuldades como um fracasso pessoal.

“Precisamos substituir a lógica da ‘mãe ideal’ pela compreensão de que existem diferentes formas de vivenciar a maternidade e que cada mulher possui uma história, uma realidade e necessidades próprias”, ressalta.

Quando buscar ajuda?

O puerpério é naturalmente marcado por adaptações e oscilações emocionais. No entanto, a intensidade, a frequência e a duração dos sentimentos merecem atenção, especialmente quando começam a interferir na rotina e na capacidade da mulher de cuidar de si e do bebê.

Ansiedade ou tristeza muito intensas, sensação persistente de incapacidade, isolamento, desesperança, sofrimento que não diminui com o tempo e dificuldades importantes para estabelecer uma rotina podem indicar a necessidade de buscar acompanhamento profissional.

“Não precisamos esperar que o sofrimento se torne insuportável para procurar apoio”, orienta a professora.

Nesse contexto, o acompanhamento psicológico pode contribuir para que a mulher encontre espaço para falar sobre suas experiências, inseguranças e dificuldades sem ser julgada. O objetivo não é estabelecer uma forma ideal de viver a maternidade, mas acolher cada realidade e oferecer recursos para lidar com ela.

Rede de apoio não é fiscalização

Outro ponto fundamental é o papel da família e das pessoas próximas. Para Maria Julia, uma rede de apoio efetiva não deve funcionar como um mecanismo de cobrança ou fiscalização da amamentação, mas como uma estrutura que ofereça segurança e condições para que a mãe também seja cuidada.

“Muitas vezes, ajudar significa oferecer condições para que a mulher descanse, alimentar a mãe, cuidar da casa, acompanhar o bebê enquanto ela toma banho ou simplesmente estar disponível para escutá-la. Nem sempre precisamos oferecer uma solução. Às vezes, o mais importante é dizer: ‘Eu estou aqui. Como posso te ajudar?’”, destaca.

Parceiros e familiares também podem contribuir assumindo responsabilidades relacionadas ao bebê e à rotina da casa. Em vez de perguntas que reforcem a cobrança, como “quanto leite você deu?” ou “você conseguiu amamentar?”, a professora sugere perguntas centradas no bem-estar da mulher: “como você está?” e “o que você precisa?”.

Comentários sobre a quantidade de leite ou sobre o que a mãe deveria estar fazendo também podem ter efeitos negativos. Segundo a especialista, falas como “você precisa produzir mais leite” ou “você não está fazendo o suficiente” podem intensificar sentimentos de culpa, incompetência e ansiedade.

Cuidar da mãe também é promover saúde

Para a professora, o cuidado precisa ser individualizado e multiprofissional, considerando tanto os aspectos físicos quanto emocionais da maternidade. Profissionais e instituições de saúde têm papel importante nesse processo ao oferecer informação baseada em evidências, mas também escutar a experiência de cada mulher.

“Acolher não significa dizer para a mulher o que ela deve fazer, mas ajudá-la a compreender suas possibilidades e necessidades. Precisamos evitar comparações, julgamentos e prescrições que desconsiderem sua realidade”, afirma.

A discussão também se relaciona diretamente à formação dos futuros profissionais de Psicologia. Para Maria Julia, é fundamental preparar os estudantes para compreender a maternidade em suas diferentes dimensões, considerando aspectos emocionais, familiares, sociais e culturais.

“Mais do que ensinar a mulher como ela ‘deveria’ viver esse período, nosso papel é ajudá-la a construir uma experiência possível, saudável e coerente com sua realidade. Cuidar da mãe também é promover saúde para toda a família”, conclui.

No Agosto Dourado, a mensagem é que apoiar a amamentação também significa apoiar quem amamenta. Informação, acolhimento, respeito e uma rede de apoio verdadeiramente presente podem fazer parte desse cuidado, contribuindo para que a experiência da maternidade seja vivida com menos culpa e mais suporte.

Com inscrições abertas, os cursos de Psicologia do UNISAL oferecem formação para quem deseja compreender o comportamento humano e atuar na promoção da saúde emocional. Conheça as opções e inscreva-se.

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