"Eu passei pela imagem de Dom Bosco, olhei bem para ele e disse: "Eu ainda volto neste lugar". E realmente voltei e hoje sou professor "
N o braço de Douglas Rodrigues da Silva, a tinta desenha um clássico: “Temos todo o tempo do mundo”. Para muitos, a frase de Renato Russo sugere espera; para o mineiro de Conceição do Rio Verde, ela é um chamado à urgência. Aos 40 anos, o professor Douglas escolheu não esperar o tempo passar, mas sim, viver cada segundo que a vida proporciona, seja na estrada, com a família, entre os alunos e suas orações.
UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU NO SEMINÁRIO
Sua vida acadêmica teve início como seminarista, no Paraguai. Foi fora do Brasil que Douglas deu os primeiros passos na filosofia e história, mas, a sua vocação para outras demandas falou mais alto e o jovem optou em seguir seu caminho de forma independente.
Foi então que o seu caminho cruzou com o UNISAL, mais precisamente o campus São Joaquim, em Lorena, mas ainda sob o peso de uma incerteza. Recém-chegado de uma jornada de estudos e rotina do seminário, ele não vestia mais o hábito dos Betharramitas, mas carregava a mesma fé ao cursar o terceiro ano de Filosofia por conta própria.
O primeiro abismo surgiu a apenas três meses da formatura: sem recursos, o sonho parecia ter batido em um muro.
‘Eu não tinha mais dinheiro e ia trancar tudo’, relembra.
Mas foi em uma conversa franca com o seu coordenador, sobre falta de recursos e um desejo forte em finalizar o curso, que surgiu a oportunidade de estágio na coordenação de curso.
A formatura chegou, as contas foram pagas. Douglas conta que concluiu o seu estágio e quando estava de mudança e novamente buscando novos caminhos, agora formado, passou pela imagem de Dom Bosco e fez uma prece, simples, porém de coração:
“Eu voltarei a este lugar”.
E voltou. Primeiro como funcionário em 2008 e, a partir de 2015, como docente, após um processo de seleção rigoroso.
Para ele, estar ali enquanto professor, não era apenas um emprego, mas uma missão encarnada na realidade, ou como ele mesmo diz: “um verdadeiro milagre de Dom Bosco”
Um Sonhador Realista

Casado e pai do pequeno Thomas, de seis anos, que, curiosamente, teve como primeiras palavras cantadas justamente o verso tatuado no braço do pai, Douglas traz Darcy Ribeiro (1922-1997) como inspiração e se define como um “sonhador realista”.
Além da educação, o professor também se diz apaixonado por futebol e música. Corintiano, busca equilíbrio nas partidas com amigos e nas aulas de violão, que retomou recentemente pelo bem da sua saúde mental.
Sua visão sobre a educação é profunda e urgente. Ele acredita que a escola deve ser um espaço que se “confunda com a vida”, onde o conhecimento é o maior valor.
Em uma conversa longa e emocionante, no sofá da sala dos professores do campus de Lorena, falamos sobre muitas conquistas, autores e referências, mas os seus olhos brilharam ao lembrar as conquistas de vários alunos. Do primeiro dia de aula à formatura, Douglas não mede as palavras e nem contém a emoção ao falar do orgulho que sente de cada conquista que vivencia em sala de aula.
Douglas Rodrigues da Silva é, em essência, um homem do seu tempo. Ele não espera que o tempo passe; ele age dentro dele, buscando transformar a realidade, viver, sonhar, realizar e presenciar os pequenos milagres que a vida proporciona.
Douglas Rodrigues da Silva pediu e Dom Bosco atendeu e hoje cumpre a sua missão no mundo através de uma educação de qualidade