"Acredito muito naquele ensinamento que diz que não se entra duas vezes no mesmo rio. É bem isso: precisamos entender que mudamos o tempo todo e que cada um de nós é único e a singularidade de cada um deve ser respeitada "
Ariano Suassuna dizia que “a tarefa de viver é dura, mas é fascinante”. É justamente com essa fascinação que o professor mestre Fabrizio Racaneli conduz seus dias. Carregando um ritmo vibrante e uma energia que busca sempre o próximo encontro, o próximo abraço e o próximo projeto, Fabrizio transforma arte, cultura e educação em ferramentas de alegria. Ele possui o brilho no olhar de quem acredita no potencial humano e, acima de tudo, escolhe o “olho no olho” como sua principal forma de comunicação.
Sua história com o UNISAL começou no acaso, em 2002, com o convite para conhecer o laboratório de Publicidade e Propaganda, no Campus Dom Bosco, mas o que seria apenas uma visita virou rotina e história de vida.

“Eu acompanho os alunos desde a segunda turma de Publicidade e Propaganda, formada em 2002. Eu tinha acabado de me formar quando um amigo me contou que o UNISAL estava montando um laboratório com equipamentos de alto padrão. Como eu trabalhava em uma TV, onde os recursos eram menores, fui conhecer a estrutura no Campus Dom Bosco e, já na primeira visita, comecei a ajudar em uma gravação e depois em uma externa. Gostei muito do ambiente e passei a frequentar o espaço espontaneamente. Pouco depois, com a saída de um técnico, fui convidado pelo coordenador para assumir a vaga e iniciei oficialmente meu trabalho em 9 de maio de 2002”, relembra.
De técnico do laboratório de Publicidade a professor, seu caminho foi marcado por bons encontros e muito incentivo. Dentro do laboratório, percebeu que gostava de algo a mais do que os bons equipamentos: a conexão com os alunos. Para ele, a comunicação vai além da técnica; está na proximidade e na relação com as pessoas.
“Com o tempo, fiz uma especialização e, em 2009, surgiu a oportunidade de dar aula. Atuei simultaneamente como técnico e professor até 2015. O UNISAL me incentivou muito a fazer o mestrado e, quando concluí, a demanda por aulas aumentou e não fazia mais sentido continuar como técnico, então passei a atuar exclusivamente como professor”, conta.
Além das salas de aula, Racanelli é um profissional inquieto. Com experiências que vão do setor público ao empreendedorismo, no setor gráfico e de comunicação visual, ele encara a atuação no mercado como uma estratégia intelectual:

“Preciso dessa imersão para não me sentir inseguro em sala de aula. Os alunos precisam saber o que está acontecendo no ‘mundo real’. É uma troca necessária”, revela.
Carnaval: Onde a vida ganha cor


Entre os tantos mundos habitados por Fabrizio, há um lugar especial onde as cores se misturam: o Carnaval. No bloco de rua, ele transformou um gosto pessoal em um projeto de identidade cultural. O bloco CANAVALESCA nasceu como tantas boas ideias brasileiras: com um amigo em uma conversa despretensiosa de boteco.
Planejado com foco e propósito, o bloco ganhou uma mascote humanizada da cana-de-açúcar, símbolo de Santa Bárbara d’Oeste, que samba pelas ruas com a doçura e a vivacidade que o professor imprime em tudo o que faz.
Em tempos de “conteúdos enlatados” e algoritmos frios, o Carnaval representa o que ele considera essencial: encontros reais entre pessoas reais.
A Comunicação do Afeto

Seja na avenida, na sala de aula ou na vida pessoal, Fabrizio acredita na sensibilidade e na autenticidade. No Carnaval que ajuda a construir, cada rosto importa e cada história tem nome. Essa mesma dedicação ele transborda para sua maior conquista: a família.
“Sou muito apegado à minha esposa, minha filha, meu pai e minhas irmãs. Nossa convivência e a troca que temos são fundamentais para mim.”

Fabrizio Racanelli é o tipo de pessoa que entende bem o fluxo da vida. Deixa-se levar pela alegria, confia no processo e dá voz a projetos que humanizam o cotidiano. Comunicólogo por escolha e professor por vocação, ele entende a individualidade de cada aluno e se esforça para compreender o outro. Sua comunicação não é artificial; está na sede de viver e aprender. Sua maior conquista não está nos títulos, mas no simples, no afeto e na verdade do encontro.
